Rio recebe apenas 50 mil doses de vacina e fica desprotegido contra raiva

O número é muito abaixo na comparação com 2014 quando 2 milhões foram enviadas pelo Ministério da Sáude

MARIA INEZ MAGALHÃES

Rio – O Estado do Rio recebeu esse ano apenas 50 mil doses da vacina antirrábica, número muito abaixo do ano passado, quando foram enviadas pelo Ministério da Saúde duas milhões de doses do medicamento. Os dados são da Secretaria estadual de Saúde, responsável pela distribuição das vacinas aos 92 municípios do estado. E, por determinação do Ministério da Saúde, as poucas doses doadas só poderão ser usadas em casos de emergência. A raiva é uma zoonose que mata.

A falta da vacina levou a prefeitura de Niterói a cancelar a Campanha de Vacinação Antirrábica Animal na cidade, marcada para o próximo domingo. É que esse ano o município não recebeu nenhuma dose da medicação para a campanha que pretendia imunizar, apenas em um dia, 60 mil animais. Em Niterói, até outubro desse ano foram vacinados contra a raiva 1.271 cães e 534 gatos. Para atender a população, a prefeitura disponibilizou três postos de vacinação.

“Isso é um absurdo. A campanha estimula a vacinação e ela tem que ser feita todo ano porque é obrigação do governo. Não realizá-la é brincar com a saúde pública”, criticou o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Higiene e Saúde Pública, o veterinário Aristeu Peçanha.

A raiva é uma doença infecciosa aguda causada por um vírus que acomete mamíferos, inclusive o homem, e é transmitida principalmente por meio da mordida de animais infectados. Os últimos dois casos de raiva em pessoas, no Rio, ocorreram em 1985. Já o último registrado em cães foi em 2001.

A suspensão da campanha deixou o niteroiense Patrick Innecco, de 24 anos, preocupado com a proteção de Teka e Lolita, suas duas ‘filhas’ da raça shitzu. “Estava esperando pela campanha. Não é fácil ir com os cachorros nos únicos três pontos disponíveis. A campanha ajuda a inibir a doença”, disse ele. A antirrábica em estabelecimentos comerciais custa R$ 80.

A Secretaria de Saúde afirmou que a distribuição das vacinas varia de acordo com a demanda de cada cidade. Já o Ministério da Saúde alegou que as doses esse ano foram enviadas a 14 estados que são prioritários, o que não inclui o Rio. O ministério informou que o estado irá receber as doses, mas não soube dizer quando.

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